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Artur Amora
Teve uma breve passagem pelo Museu de Imagens do Inconsciente no final da década de 40, e não há maiores dados a seu respeito. Chegou ao ateliê desejando pintar, mas declarando que não sabia desenhar. Propus-lhe buscar um motivo que lhe interessasse. Descobriu uma caixa de dominós e copiou-os inteiramente. Depois, começou a simplificá-los, abandonando os pontos, e cobrindo as faixas brancas e pretas, rompendo os ângulos, encontrando curvas e criando estruturas de forte contraste ótico.
Considerava o branco e o preto como cores suficientes para seu trabalho. Dava títulos às composições com nomes de partituras musicais de Beethoven, Schubert, e Chopin. Porém recusava-se a mostrá-las a seus parentes, pois temia ser considerado perigoso.
Queria voltar para casa. Produziu cinco óleos, quatro desenhos e projetos sobre papel. Depois afastou-se do hospital. Suas composições em branco e preto foram realizadas aproximadamente entre 1949 e 1951. Na mesma época, grupos de pintores autointitulados "concretos", influenciados pela pintura "concreta" suíça - de caráter geométrico -, discutiam no eixo Rio-São Paulo sobre quem seriam os protagonistas do movimento no Brasil.
Os trabalhos de Amora revelam um geometrismo conseqüente e livre de influências estrangeiras.
Almir Mavignier
Brasil: Museu de Imagens do Inconsciente
Câmara Brasileira do Livro (Brasiliana de Frankfurt, SP, 1994)
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