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Em meados da década de 40, a Seção de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, inaugurou ateliês de pintura e modelagem para os pacientes. Além de servir para a terapia de doentes mentais, esses ateliês sobretudo chamariam a atenção dos críticos de arte. Já em 1940, o Museu de Arte Moderna de São Paulo realizou uma mostra das obras dos pacientes, a maior parte deles esquizofrênicos.

Foi assim que, com o passar dos amos, formou-se no Centro Psiquiátrico Nacional uma volumosa coleção de obras de arte, que deu origem ao Museu de Imagens do Inconsciente. Esta exposição na Kommunale Galerie da Leinwandhaus nos permite conhecer uma seleção do acervo do museu. A arte de pessoas doentes mentais não pode ser restrita a um contexto de história da arte. Afinal, são obras que nascem livres de tradições e convenções. Os doentes mentais atuam como artistas a partir de suas mais íntimas fantasias e angústias.

É essa postura autodidata que sempre fascinou os pintores modernos: de Max Ernst, passando por Jean Dubuffet, até Arnulf Rainer. No final dos anos quarenta, Jean Dubuffet cunhou para esse tipo de arte a expressão "art brut". Para ele, bem como para os integrantes do grupo Cobra, a arte dos doentes mentais e das crianças é a única arte genuína, pois nasce livre de influências estéticas.

"Imagens do Inconsciente" - por trás deste título esconde-se mais do que uma mostra de obras de arte. Além de obras de arte, os quadros aqui expostos são emblemáticos da liberdade de expressão do homem. Por isso, eles devem ser vistos e lidos com isenção de classificações estéticas.

A respeito disso, Jean Dubuffet escreveu certa vez: "Aqui podemos testemunhar o trabalho artístico em forma completamente pura, genuína - por assim dizer bruta - , a forma exata redescoberta pelo artista sozinho, em sua totalidade e em todas suas fases. Uma arte, portanto, na qual apenas o talento criativo se manifesta, que nada tem de camaleônica ou de simiesca, como é o caso da arte dirigida ao mercado cultural." (DUBUFFET, Jean, L´art brut préféré aux arts cuturels, 1949).

Desejo muito sucesso a esta exposição.

FRANK MUßMANN
Diretor do Departamento de Ciência e Arte

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