HISTÓRIA DO MUSEU

Por não aceitar as formas de tratamentos psiquiátricos em uso na sua época − como o eletrochoque, a lobotomia e o coma insulínico −, a psiquiatra Nise da Silveira criou em 1946, no Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro, a Seção de Terapêutica Ocupacional. Dentre 17 atividades diferentes, a produção dos setores de pintura e modelagem se destacou como um meio de acesso ao mundo interno dos seus frequentadores. A produção desses ateliês foi tão abundante, que em 1952 nasceu o Museu de Imagens do Inconsciente.

Criado como um centro vivo de estudo e pesquisa, o Museu tem cumprido a tarefa que lhe foi atribuída por sua fundadora: ser um Museu Vivo, cuidando e defendendo um patrimônio da humanidade, mantendo sempre as portas abertas a pesquisadores de todas as áreas do conhecimento humano.

Organizado em quatro setores de atividades, o Museu vem se modernizando, mas sempre mantendo a base humanística legada pela mestra:

 

Os Ateliês Terapêuticos recebem diariamente frequentadores que criam novos documentos plásticos e compartilham suas experiências no convívio com estudantes, pesquisadores ou visitantes.

A experiência nos ateliês comprova a eficácia do método terapêutico proposto por Nise da Silveira, que está em conformidade com a Luta Antimanicomial: mantendo suas portas e janelas sempre abertas, sem delimitações de território e de talentos, aposta na criatividade e na liberdade individuais como fatores fundamentais para o exercício da cidadania.

Como resultado dessas práticas, os ateliês configuram um campo multidisciplinar de aperfeiçoamento e especialização profissional. Oferece à sociedade contemporânea a possibilidade de leituras das riquezas interiores do ser humano, contribuindo para a mudança dos paradigmas estigmatizantes sobre os portadores de transtornos psíquicos.

Diretamente ligado aos ateliês terapêuticos, o Setor de Ensino, Pesquisa e Divulgação desenvolve atividades que incluem o atendimento a pesquisadores, e à organização do Grupo de Estudos, cujas reuniões são abertas a todos os interessados.

O Museu organiza exposições internas e externas, produz publicações e documentários, realiza cursos, palestras e debates nas principais universidades e centros de cultura do país.

A Reserva Técnica é responsável pela guarda, organização e conservação do acervo de mais de 380 mil obras, entre telas, papéis, modelagens, textos e poemas.

O Setor Administrativo garante o funcionamento e a infraestrutura de todos os setores do Museu.

Assim, o Museu Vivo é a representação do complexo de atividades geradas por todos os setores, cuja interatividade estimula o convívio entre frequentadores, técnicos, funcionários, visitantes, animais coterapeutas − e as imagens. Como resultado desse convívio, o Museu continua a manter sua característica fundamental: um território livre, espaço de liberdade para a expressão de vivências internas.