BIOGRAFIAS

Adelina Gomes


Nasceu em 1916 na cidade de Campos, estado do Rio de Janeiro. Filha de camponeses, fez o curso primário e aprendeu variados trabalhos manuais numa escola profissional. Aos 18 anos apaixonou-se por um homem que não foi aceito pela família. Tornou-se cada vez mais retraída, sendo internada aos 21 anos de idade. Segundo depoimento de Almir Mavignier, “‘agressiva e perigosa’, esta foi a descrição que recebemos dela e que nos aconselharia a não aceitá-la no ateliê. Interessado, porém, nas bonecas que ela fazia no hospital, fui buscá-la num dia chuvoso”.

Não houve dificuldade para que começasse a pintar quando passou a frequentar o ateliê de pintura em 1946. Inicialmente dedicou-se ao trabalho em barro, modelando figuras que impressionam pela semelhança com imagens datadas do período neolítico. São mulheres corpulentas, majestosas. Segundo Nise da Silveira, “foi em barro, segundo convinha, o mais primordial dos materiais de trabalho, que Adelina modelou as personagens assombrosas emergidas dos estratos mais profundos do inconsciente. (...). Esta foi a ocupação que ela preferia e que a absorvia durante longas horas.”

Na sua pintura pode-se acompanhar as incríveis metamorfoses vegetais que ela vivenciou, o que deu origem ao famoso estudo da Dra. Nise da Silveira comparando-as com o mito grego de Dafne. Dedicou-se também à confecção de flores de papel e aos trabalhos de crochê, tornando-se uma pessoa dócil e simpática, sempre concentrada em suas atividades, produzindo com intensa força de expressão cerca de 17.500 obras. Adelina faleceu em 1984. Sua produção plástica e as importantes pesquisas desenvolvidas pela Dra. Nise ao longo de muitos anos tornaram-se objeto de exposições, filmes, documentários e publicações.




Carlos Pertuis


Nasceu no Rio de Janeiro, em 1910. Seus avós eram franceses, bem como seu pai, que veio ainda menino para o Brasil. Foi o único filho homem da família, havendo três irmãs. De natureza sensível e religiosa, sempre se mantinha retraído. Com a morte do pai, deixou de estudar e foi trabalhar numa fábrica de sapatos.

Certa manhã, raios de sol incidiram sobre um pequeno espelho de seu quarto. Brilho extraordinário deslumbrou-o, e surgiu diante de seus olhos uma visão cósmica: “O Planetário de Deus”, segundo suas palavras. Ele gritou, chamou a família, os vizinhos, queria que todos vissem aquela maravilha. Começou a frequentar o ateliê de pintura da Seção de Terapêutica Ocupacional em 1947, trazido pelo artista Almir Mavignier, que soube que ele fazia desenhos e os guardava em caixas de sapato, embaixo da cama da enfermaria.

Carlos desceu vertiginosamente à esfera das imagens arquetípicas, dos deuses, dos demônios. Produziu com intensidade cerca de 21.500 trabalhos − desenhos, pinturas, modelagens, xilogravuras, escritos − até sua morte, em março de 1977.




Emygdio de Barros


Nasceu em 1895 no estado do Rio de Janeiro. Foi uma criança triste e tímida, revelando desde a infância habilidade manual fora do comum, construindo com velhas caixas e pedaços de madeira brinquedos que surpreendiam a todos.

Na escola, foi sempre o primeiro da classe. Fez o curso de torneiro mecânico e ingressou no Arsenal de Marinha. Destacando-se pela qualidade do seu trabalho, foi designado para fazer um curso de aperfeiçoamento na França, onde permaneceu durante dois anos. Logo após a sua volta ao Brasil, abandonou o emprego, passando a andar pelas ruas, sem destino, até tarde da noite; ou entrava nas igrejas, onde ficava horas inteiras de pé, imóvel, olhos fixos. Começou a frequentar o ateliê da Seção de Terapêutica Ocupacional em fevereiro de 1947. Apesar de nunca ter pintado antes, seu trabalho atinge desde o início um alto nível artístico, revelando talento incomum.

Pintava lentamente, como se buscasse em sua memória, na sua imaginação as paisagens e símbolos que habitavam o seu interior. Levava horas para terminar um trabalho, muitas vezes dias.

Quando solicitado, respondia com poucas palavras e logo se fechava em seu silêncio. Suas obras, desmentindo os preconceitos dominantes na psiquiatria, foram desde logo reconhecidas no mundo da arte. Mário Pedrosa e Abraham Palatnik, entre outros, visitavam-no frequentemente. Segundo Ferreira Gullar, “Emygdio de Barros é um dos raros gênios da pintura brasileira. Um gênio não é pior nem melhor que ninguém. Com respeito a ele não há termo de comparação: um gênio é uma solidão fulgurante. Ultrapassa as medidas e as categorias. Não é possível defini-lo em função de escolas artísticas, vanguardas, estilos, métier. Com relação a Emygdio, podemos afirmar que raramente alguma obra pictórica foi capaz de nos transmitir a sensação de deslumbramento que recebemos de seus quadros”.

“Um caminho para o infinito”, foi o que ele disse sobre seu último trabalho, uma paisagem toda em azul com um caminho no meio. Pouco tempo depois Emygdio morreu, aos 92 anos. Deixou no acervo do Museu um legado de cerca de 3.300 obras.




Fernando Diniz


Nasceu em Aratu, Bahia, em 1918. Aos 4 anos veio para o Rio de Janeiro com sua mãe, que era excelente costureira. Morando em casarões de cômodos, costumava acompanhá-la quando ia trabalhar em casa de famílias ricas e abastadas. Desde garoto o sonho de Fernando era ser engenheiro. Inteligente, foi sempre o primeiro aluno da classe. Chegou até o nível médio, mas abandonou os estudos.

Em 1944, foi preso e levado para o manicômio judiciário, sob a alegação de estar nadando despido na praia de Copacabana. Em 1949 começou a frequentar a Seção de Terapêutica Ocupacional. Quando chegou ao ateliê, não levantava a cabeça e sua voz baixa mal era ouvida. Ao ser perguntado sobre a razão da beleza de suas pinturas, respondia: “Não sou eu, são as tintas.” Em sua obra, mescla o figurativo e o abstrato, abarcando das mais simples às mais complexas estruturas de composição.

Fernando é um eterno aprendiz. Sua ânsia de conhecimento levou-o a considerar o hospital como uma universidade, e apesar de sua longa reclusão era impressionante a quantidade de informações que acumulava. Sua paixão pelos livros fazia-o constantemente atualizado com os acontecimentos e as descobertas científicas.

O resultado gráfico de toda essa atividade é um caleidoscópio de imagens ora sucessivas, ora superpostas, dinâmicas e coloridas. Do espaço para o tempo, do inorgânico para o orgânico, do geométrico para o figurativo, e vice-versa, Fernando foi tecendo seu universo.

Construiu em barro diversos relógios de sol, enormes engrenagens de luas e estrelas articuladas. Depois de sua participação no filme Em Busca do Espaço Cotidiano, de Leon Hirszman, pintou e desenhou uma série inspirada pelo cinema em que utiliza movimentos de zoom e outros elementos da linguagem cinematográfica. Esse interesse resultou no premiado desenho animado Estrela de Oito Pontas, para o qual realizou mais de 40 mil desenhos sob a orientação do cineasta Marcos Magalhães.

“O pintor é feito um livro que não tem fim.”

“Artista é quase um milagre. O artista já nasceu artista, gosta de se apresentar, mostrar a beleza...”

Fernando morreu em 1999, deixando um grande número de telas, desenhos, tapetes, modelagens e xilogravuras.




Octávio Ignácio


Nasceu em 1916 no estado de Minas Gerais. Trabalhou como serralheiro e como bombeiro hidráulico. Em 1966 veio frequentar, em regime de externato, o ateliê de pintura do Museu de Imagens do Inconsciente. Era uma pessoa muito inteligente, elaborava pensamentos e ideias com grande poder de síntese. Seus trabalhos eram realizados com intensidade, muitas vezes feitos em pé. Dava preferência ao lápis de cera, realizando desenhos com as mais diversas temáticas, desde o simbolismo animal, imagens de rituais arcaicos, imagens que evocam Dionísio, metamorfoses, seres fantásticos, até imagens que encontram paralelo com a simbologia alquímica.

Seus depoimentos surpreendiam a todos. A Dra. Nise dizia que eram lições que tínhamos que aprender: “A esquizofrenia consiste numa doença em que o coração fica sofrendo mais do que os outros órgãos. Então ele fica maior e estoura.”

Participou de exposições no Brasil e no exterior. Enquanto frequentou o ateliê, produziu 6.240 obras. Em 1978, através da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, com apoio da FUNARTE, publicou o livro revolucionário Os Cavalos de Octávio Ignácio, com imagens e textos de sua autoria.

Frequentou regularmente o ateliê de pintura até sua morte, em 1980.




Raphael Domingues


Nasceu em 1913, no estado de São Paulo, sendo o primogênito de quatro irmãos. Seu pai, de nacionalidade espanhola, escultor, dedicava-se à construção de monumentos fúnebres. Sua mãe descreve-o como um menino tímido, sensível, retraído. Quando o pai abandonou a família, Raphael foi trabalhar como ajudante na fabricação de gaiolas para pássaros. Aos 13 anos ingressou no Liceu Literário Português, onde estudou desenho acadêmico. Trabalhou como desenhista em escritórios particulares, chegando a ganhar um prêmio em concurso da Standard Oil Company.

Começou a frequentar o ateliê da Seção de Terapêutica Ocupacional aos 19 anos. Fator fundamental na história de Raphael foi a presença do artista Almir Mavignier, na ocasião monitor do ateliê de pintura, em quem encontrou apoio afetivo e estímulo.

Um dia, contrariando a regra de não intervenção na produção dos frequentadores do ateliê, um funcionário da secretaria entrou por acaso na sala e, vendo os abstratos de Raphael, disse-lhe: “Raphael, pinte uma cara.” Raphael imediatamente desenhou uma cara. A seguir, o funcionário disse: “Agora pinte um burrinho.” Raphael pintou o burrinho. Esse fato insólito marcou o início de uma nova fase no desenho de Raphael. A partir daí, sem etapas de transição, num salto espantoso, surgem traços mágicos que virão configurar desenhos da mais alta qualidade. Quando terminava seus desenhos, Raphael quase sempre os recobria com suas habituais linhas entrecruzadas, obrigando Almir a retirá-los e a dar-lhe uma nova folha de papel. Desenhava rapidamente, com linhas que muitas vezes reproduziam gestos que fazia fora do papel.

O prazer de desenhar num ambiente onde era tratado como pessoa querida fez surgir em Raphael insuspeitadas manifestações de força criadora. A qualidade de seu desenho despertou fascinação e respeito − Murilo Mendes, Abraham Palatnik, Léon Degand, Sérgio Milliet, entre outros, admiravam-no e foram por ele retratados em alguns de seus trabalhos.

Segundo Mário Pedrosa, “Nunca o misterioso como da elaboração da forma foi mais concretamente visível do que em Raphael, pois nele é que se percebe de que profundezas da personalidade vem ela. É um fenômeno físico, fisiológico mesmo, e ao mesmo tempo intuitivo, misteriosamente dirigido por um conhecimento suprassensível, super-racional. (...). Que fez o destino a um ser extraordinário como Raphael? Tentou expulsá-lo da vida, trancando-lhe de saída a mocidade. Engenho de Dentro, felizmente, recolheu seus restos de personalidade, permitindo que ele ao menos fizesse uso de parte de seu aparelho de percepções. E o que com que este fez, é sem par na história da criatividade humana.”

Participou de diversas exposições coletivas e individuais, no Brasil e no exterior. Desenhou no ateliê de pintura até sua morte, em 1979.




Isaac Liberato


Nasceu no Rio de Janeiro em 1906, filho único de um velho e rico negociante. Viveu isolado até os 8 anos, longe do convívio com outras crianças. Aos 9 anos perdeu o pai, ficando sob os cuidados da mãe.

Aos 19 anos, realizando um sonho de menino, ingressou na Marinha Mercante como radiotelegrafista, fazendo inúmeras viagens nas rotas internacionais. No intervalo entre essas viagens namorou uma vizinha loura e bonita, que não era aceita por sua mãe. Em 1930, casou-se com a jovem. Três meses depois, separou-se da mulher. Manifestaram-se então graves perturbações emocionais, que levaram à sua permanência no Hospital da Praia Vermelha.

Dezesseis anos depois, começou a frequentar o recém-inaugurado ateliê de pintura do Museu de Imagens do Inconsciente.

Isaac era sempre o primeiro a chegar e procurava logo o material para iniciar seus trabalhos, demonstrando grande interesse e prazer em pintar, principalmente telas a óleo. A primeira surpresa que a pintura de Isaac trouxe foi a flagrante diferença entre sua linguagem verbal e sua linguagem plástica. Ele raramente construía proposições – sua linguagem era agramatical e cheia de neologismos. Entretanto, por meio da linguagem plástica, narrou uma história imediatamente compreensível e concatenada, que jamais verbalizaria.

Desde o início, suas pinturas já prenunciavam o desenvolvimento artístico que ele alcançaria ao longo do tempo. Entre as diversas temáticas que aparecem em sua pintura, destacam-se paisagens de intenso colorido que tendem à abstração e a figura da mulher amada sob diferentes formas. Segundo o crítico de arte Marcio Doctors, “Isaac nos oferece paisagens que alternam zonas de cores tranquilas e extensas com cores que se precipitam em zonas em que o pincel se agita de forma rápida, criando uma composição que é igual às forças da natureza. A precisão de Isaac nasce de um mergulho na sua interioridade”.

No dia 6 de julho de 1966, Isaac chegou ao ateliê como de costume e, enquanto executava seu trabalho, morreu com o pincel na mão, deixando inacabada sua última pintura retratando a mulher amada.




Arthur Amora


Arthur Amora teve uma breve passagem pela Seção de Terapêutica Ocupacional no final da década de 1940 e não há maiores dados a seu respeito. Chegou ao ateliê desejando pintar, mas declarando que não sabia desenhar, então lhe foi proposto que buscasse um motivo que o interessasse. Descobriu uma caixa de dominós e copiou-os inteiramente. Depois começou a simplificá-los, abandonando os pontos, encobrindo as faixas brancas e pretas, rompendo os ângulos, encontrando curvas e criando estruturas de forte contraste óptico.

Considerava o branco e o preto cores suficientes para seu trabalho. Produziu cinco óleos, quatro desenhos e projetos sobre papel. Depois, afastou-se da Seção de Terapêutica Ocupacional. Suas composições foram realizadas entre os anos 1949 e 1951.

Na mesma época, grupos de pintores autointitulados “concretos”, influenciados pela pintura “concreta” suíça – de caráter geométrico – discutiam no eixo Rio de Janeiro−São Paulo sobre quem seriam os protagonistas do movimento no Brasil. Os trabalhos de Amora revelam um geometrismo consequente e livre de influências estrangeiras.




Geraldo Lucio Aragão


Nasceu no estado da Bahia, em 1929. Tinha formação de desenhista técnico. Chegou ao hospital psiquiátrico de Engenho de Dentro em 1956 e não se conformava com os ditos “tratamentos de saúde” que recebia dos médicos, chamando-os de “casaca branca”. Embora nunca tivesse pintado, mencionou que gostaria de fazê-lo, passando a frequentar a oficina de encadernação e o ateliê de pintura. Neste último, fazia desenhos técnicos como postos de gasolina, prédios, etc. Dizia sentir-se inteiramente só. Certa vez pediu à monitora de pintura um caderno bem grosso para escrever a história da própria vida.

O ponto alto da sua expressão são as fotografias, onde capta ora paisagens e cenas da cidade, ora composições abstratas, sempre buscando o contraste entre luz e sombra, atingindo alto nível de qualidade. Considerava-se um surrealista.

Segundo a restauradora e curadora Marcia Mello, Geraldo “utiliza-se de elementos figurativos, optando por cortes e composições que evidenciam uma busca de abstração da realidade. Privilegia detalhes e os jogos de luz e sombra. Complementando o ato de fotografar, realiza interferências no laboratório, inclui desenhos, elimina parte da cena, conferindo conteúdos expressivos às imagens em resposta aos seus anseios e questões. Algumas de suas composições rompem definitivamente com o real, evidenciando uma atitude de caráter construtivista”.

Como pretendia estudar arquitetura, pediu para frequentar o ateliê de modelagem, porque na faculdade havia uma cadeira de cerâmica. Bem adaptado, expunha espontaneamente o que realizava.

Em 1960, retornou a Salvador, Bahia.




Abelardo Corrêa


Nasceu em 1914, no estado de Alagoas. Solteiro, frequentou aulas de desenho no Liceu de Artes e Ofícios e era desenhista de profissão. Aos 17 anos passou a dedicar-se ao boxe, conquistando vários títulos. Começou a frequentar o ateliê de pintura e modelagem em 1946.

Diferentemente dos outros participantes, Abelardo não era um leigo, e foi generoso ao ajudar seus colegas internados. Ele era pintor e desenhista, mas o grande destaque de sua obra são, sem dúvida, suas modelagens produzidas num ateliê localizado próximo à natureza, no hospital, que ele considerava sua casa.

Permaneceu no hospital psiquiátrico de Engenho de Dentro até sua morte, em 1982.




Lúcio Noeman


Nasceu em 1915. Com pouca instrução, era dotado de grande habilidade, fazendo trabalhos em madeira que surpreendiam a família. Nunca estudou desenho nem modelagem.

Em 1948, começou a frequentar o serviço de Terapêutica Ocupacional optando pelo ateliê de modelagem. Trabalhava com visível prazer, ficando horas absorvido na modelagem de barro. Produziu obras de notável qualidade artística, a maioria representando, segundo ele, guerreiros empenhados na luta entre o bem e o mal.

Participou da exposição 9 Artistas de Engenho de Dentro, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1949, com obras selecionadas pelo diretor Léon Degand e pelo crítico de arte Mário Pedrosa.

Apesar da sua incansável luta contra o confinamento e os tratamentos violentos, Nise da Silveira não conseguiu evitar que Lúcio fosse submetido à lobotomia, na mesma época da exposição que o consagrou. “Vão decapitar um artista!”, argumentou ela, sem sucesso. Os trabalhos de Lúcio posteriores à lobotomia tornaram-se irreconhecíveis, regredindo a formas primárias de concepção e execução. Esse fato foi denunciado por Nise em livros, palestras, documentários e no I Congresso Internacional de Psiquiatria, em Paris.

Segundo Nise da Silveira, “o combate entre o bem e o mal, que fazia Lúcio sofrer, tinha dimensões mitológicas. A compreensão do mito talvez tivesse salvo Lúcio. Mas quem iria falar em mito? O científico seria a lobotomia. Sua luta entre opostos foi reduzida, segundo as palavras de Lúcio, ‘a uma luta entre rato e gato’.”




Alexandre Rajão


Nasceu em 1954, no estado do Rio de Janeiro. Estudou Artes Plásticas na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Trabalhou na área de informática em órgãos do governo. Frequentou o Museu de Imagens do Inconsciente na década de 1990. O crítico de arte Frederico Morais vê seu trabalho “dentro de um filão acadêmico ou de um simbolismo passadista, ainda instigante, do qual parece querer libertar-se, recortando e superpondo figuras, às vezes com resultados surpreendentes”.




Carla Muaze


Nasceu no Rio de Janeiro, em 1962. Criança de temperamento introspectivo, reservada, gostava de pintar, trabalhar e dançar. Adorava jazz e chegou a frequentar uma academia de dança. Jovem, solteira, foi bancária, trabalhou no comércio e em uma casa de shows.

A partir de 1990, frequentou os ateliês de pintura da Casa do Engenho, do Espaço Aberto ao Tempo (EAT) e do Museu de Imagens do Inconsciente. Foi considerada pelo crítico Frederico Morais “uma pintora no sentido pleno da palavra. Ousada na forma, na cor e, sobretudo, nos temas – a lembrar um Enzo Cucchi – esbanjando sensualidade e fantasia”. Carla faleceu em 1998.




Ênio Sérgio


Nasceu em São João Del Rey, Minas Gerais, em 1962. É o primogênito de uma prole de cinco filhos. Aos 18 anos ingressou no exército, passando em seguida para a categoria de paraquedista.

Cliente do Espaço Aberto ao Tempo (EAT) do Instituto Municipal Nise da Silveira, Ênio começa também a frequentar o Museu de Imagens do Inconsciente, em 1995, escolhendo a pintura e a modelagem como atividades preferidas. Suas intensas vivências e emoções expressam-se nas imagens que pinta e modela. Suas obras alcançaram alta qualidade, tanto na forma quanto na cor, sendo logo reconhecidas nas exposições em que participou. Atualmente, mora no bairro de Copacabana.




Francisco Noronha


Nasceu no Rio de Janeiro, em 1942. Estudou em colégios do bairro carioca da Tijuca, onde residia. Sempre demonstrou grande potencial artístico. Na década de 1970, passou a frequentar a Casa das Palmeiras, clínica em regime de externato fundada pela Dra. Nise da Silveira, onde participava de diversas atividades escrevendo peças de teatro, desenhando e pintando.

Em 1998, começou a frequentar o Museu de Imagens do Inconsciente, dando preferência ao desenho, criando figuras femininas e seres fantásticos altamente elaborados.




José Alberto de Almeida


Nasceu no Rio de Janeiro, em 1959. Cursou até o ensino médio, obtendo excelentes resultados. As dificuldades em seus relacionamentos familiares levaram-no a perambular pelas ruas. Foi aí que descobriu que “podia ajudar os pobres com o lixo que as pessoas jogam fora”, atividade que realiza até hoje.

Começou a frequentar, em meados da década de 1980, os ateliês de pintura e modelagem do Museu de Imagens do Inconsciente, onde pinta telas muito coloridas carregadas de simbologia e escreve textos e poemas, revelando nessa produção uma intensa criatividade.




Roberto Garcia


Nasceu em 1946, no estado do Rio de Janeiro. Na década de 1990, frequentou, no Instituto Municipal Nise da Silveira, o Espaço Aberto ao Tempo (EAT) e o Museu de Imagens do Inconsciente. Dotado de grande criatividade, desenvolveu trabalhos a partir de conceitos matemáticos, aplicando-os à sua pintura. Segundo o crítico Frederico Morais “a pintura modular de Roberto Garcia, fundada em cálculos matemáticos, é uma forma de arte combinatória, que poderia ter desdobramentos no design, integrando-se a arquitetura ou funcionando como suporte para murais (pintura azulejar)”. Faleceu em 1997.




Paulo César de Oliveira Santos


Nasceu em 1961, no estado do Rio de Janeiro. Cursou arqueologia na Universidade Federal Fluminense. Foi no Espaço Aberto ao Tempo (EAT) que iniciou o seu contato com a pintura, em 1992. Também frequentou as oficinas do Museu de Imagens do Inconsciente. Seu tema favorito são as abstrações geométricas, em construções extremamente estruturadas. Sua geometria, diz o crítico de arte Frederico Morais, é “envolvente e calorosa devido à matéria farta e ao colorido vivo. A composição abstrata é assimétrica, com quase colunas, frisos, quadrados e retângulos se aproximando segundo uma lógica interna do quadro. Mas, sem compromissos com ismos ou tendências históricas, Paulo César, num assomo emocional, faz irromper a figura em outra tela como se fosse um retrato de uma tensão momentânea”.




Davi Pereira da Silva


Nasceu em 1968, no Rio de Janeiro. Completou o ensino médio e fez alguns cursos, como publicidade e informática. Trabalhou em diversas atividades, mas precisou afastar-se após sofrer um acidente.

Chegou ao Museu de Imagens do Inconsciente em 2001. Participava de atividades diversas, mas o ponto alto de sua expressão é a pintura. Além de imprimir intensidade e variedade nas cores, suas composições oscilam do figurativo ao abstrato sem perder a qualidade estética.




Manoel Godinho


Nasceu no Rio de Janeiro, em 1946. É pai de cinco filhos. Em 2001, começou a frequentar os ateliês de pintura e modelagem do Museu de Imagens do Inconsciente, demonstrando grande interesse pelas atividades. Desenha e pinta com facilidade, com aguçado senso de humor e criatividade. Um dos temas preferidos em seus desenhos e pinturas são as mandalas, representadas com estruturas altamente organizadas e harmônicas em suas cores.

Sobre sua experiência nos ateliês, ele diz: “Não sei o que aconteceu comigo, parece que eu comecei a criar dentro de mim uma autovalorização, comecei a me aproximar mais das pessoas, então eu comecei a sentir gosto por mim.”